Cardápio Rubem Alves
Artigos e Depoimentos
Construído em 1770, o Teatro Municipal – Casa da Ópera é o mais antigo teatro em funcionamento das Américas. Implantado no Morro de Santa Quitéria, foi erguido por desejo pessoal do português João Souza Lisboa para si e a comunidade, no estilo elisabetano.
Visto em planta-baixa, tem o desenho de uma lira. Possui quatro níveis de galerias, excepcional acústica e 300 lugares, edificado aproveitando o caimento natural do terreno. Por fora, lembra uma mera casa, tamanha simplicidade. Por dentro, surpreende pela grandiosidade do espaço, a facilidade de subir as escadas, a perfeita visão dos espectadores e a largura e profundidade do palco. Como o de Sabará, são dois primores do período colonial. Cláudio Manuel produziu peças aí encenadas, enquanto Alvarenga e Gonzaga recitaram poemas.
No período áureo da ópera, muitas foram apresentadas, sobretudo de Rossini e de Mozart. Rui Barbosa nele discursou há 100 anos, durante a Campanha Civilista para Presidente da República, e muita gente importante esteve em tão histórico palco (Ouro Preto, Olhar Poético, Carlos Bracher, Ed. Grafar-Artes, 2010).
Neste feriado de 7 de setembro, chegou a vez de Rubem Alves ser apresentado ao público, por intermédio do ator e professor de teatro mineiro/paulista Silvionê Assis Chaves. A peça se chama “Cardápio Rubem Alves”. Um garçom oferece para a plateia oito “pratos” elaborados pelo Chef Rubem Alves. Cada prato contempla textos do autor, que refletem sobre diversos temas.
O companheiro Leonardo representou o RCOP no evento. Sua esposa Vera Lúcia redigiu o comentário apresentado abaixo:
“Silvionê busca em Rubem Alves a inspiração para nos advertir que a vida é valiosa demais para ser desperdiçada. “Cardápio Rubem Alves” é o nome do seu monólogo, vivamente interpretado, do primeiro ao último segundo. O ator se desloca no palco com perfeita precisão. Cada gesto nos transporta e emoldura o texto, realçando-lhe o sentido. Desconfio que ele já nasceu ator. Explico: conheço-o desde a juventude, quando ele era ainda aluno de engenharia, e frequentávamos o grupo de orações do Movimento de Renovação Carismática que funcionava no Asilo Santo Antônio. Um dia, quando fazíamos nossas tímidas orações, lembro-me de saltar da cadeira ao tonitroar de sua voz, quando elevou, em dado momento, sua oração ao bom Deus.
Assim é Silvionê, sempre agitado e também cheio de bons sentimentos, inteligência brilhante e muito bom humor. Ele se viu aqui cursando engenharia. Logo após foi atraído para a vida religiosa à qual dedicou alguns anos de estudo. Hoje ele se dedica ao magistério e ao teatro. Suas peças tem como tema a educação como um todo: pais e filhos, alunos e professores, casamento, vida, morte e tudo que diga respeito ao ser humano. Viver da melhor maneira, em todos os sentidos, e propiciar aos outros a oportunidade de refletir sobre a vida é uma de suas metas.
Por isso, conversar com Silvionê ou vê-lo atuar é sempre um motivo de alegria, daqueles que a gente espera sempre de novo experimentar.”
Leonardo Barbosa Godefroid
